Gustavo Sanchez, Renan Oliveira, Roberto Cirino, Luciano Campestrini, Parque Daisaku Ikeda. |
Nos dias 15 e 16 de dezembro de 2011 os membros do Grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE, e inclusive outros birdwatchers londrinenses foram contactados por um usuário do site Wikiaves, que estava vindo de Curitiba para Londrina e queria fazer uma passarinhada em nossa cidade, que resultou num total de 126 espécies registradas.
Seu nome é Roberto Cirino e ele veio acompanhado de seu amigo Luciando Campestrini, ambos "passarinheiros" da capital, moderadores do site www.passarinhando.com.br, e estavam na busca por novos registros dos penosos da terra vermelha para enriquecer seus acervos fotográficos.
Foram dois dias de passarinhada, o primeiro deles, no Parque Estadual da Mata dos Godoy, foi onde eu (Renan Oliveira) e Gustavo Sanchez encontramos com Roberto, Luciano e Luiz Veríssimo (passarinheiro Londrinense que também se dispôs a acompanhar os visitantes) pessoalmente pela primeira vez, e ficamos indagados pois nossos novos amigos curitibanos estavam tentando de todas as maneiras - e já havia um certo tempo - fotografar o Saci (Tapera-naevia) que é uma ave muito comum na "pequena Londres" especialmente na zona rural, mas que segundo eles, em Curitiba é muito difícil de ser avistada.
Neste primeiro momento, a passarinhada foi breve e sem muitos registros ora os visitantes haviam chegado cerca de 9:30 da manhã, que já em um horário considerado "avançado" para a observação de aves pois a maioria delas adotam uma postura mais discreta e silenciosa ficando difícil a detecção - existem várias teorias que justificam esta preferência pelas primeiras horas matinais e pelas ultimas horas vespertinas, mas fica para outra postagem.
No segundo momento, nossos visitantes revelaram um grande desejo para observar o Carão (Aramus guarauna) - surpreendentemente outra ave comum em nossa região - pois em Curitiba aparentemente esta ave não "dá as caras". De imediato sugerimos passar a tarde observando aves no Lago Igapó, onde certamente é possível avistar um Carão. Ao chegarmos no local (Lago 3) comentamos que praticamente ao lado de onde paramos o carro, é onde normalmente a ave procurada costuma aparecer. Fizemos uma "varredura" visual no local e nada do nosso amigo penoso... então resolvemos seguir ao redor do aterro do Lago observando e assim o fizemos por algumas horas, e quando decidimos voltar para o carro ao passarmos pelo local indicado inicialmente, eis que surgiu o tão visado ser alado, que nos deu apenas o direito a uma breve observação, seguida de um vôo majestoso para longe de seus bípedes admiradores.
Foi muito interessante ver a reação, em especial do Roberto, ao avistar a tão sonhada ave, a alegria foi tanta que ele quase saiu correndo atrás do Carão, mas o Luciano do alto de sua calma advertiu o colega de que seria inútil correr atrás e que eles teriam tempo para vê-lo novamente.
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Luiz Verissimo, Luciano Campestrini, Roberto Cirino, Renan Oliveira no Lago Igapó. Fotografo: Luiz Veríssimo 2011 |
Pensando nisto, para o dia seguinte sugerimos aos nossos novos amigos curitibanos que no dia seguinte (sexta-feira 16/12) fossemos à dois locais, o primeiro deles e bem cedo, seria um fragmento de mata na zona sul, por nós da ONG MAE considerado uma "prata da casa Londrinense" onde a diversidade de aves é enorme e a visualização de várias espécies é garantida. Já o segundo local que sugerimos foi o Parque Municipal Daisaku Ikeda, antiga usina Hidrelétrica Três Bocas que hoje é uma represa margeada de um enorme brejo, ambiente ideal e garantia de observar com detalhes, o visado Carão.
Roberto e Luciano nos deram o voto de confiança e acataram nossa sugestão.
Então no dia seguinte, chegamos ao fragmento escolhido e logo de cara fomos recebidos por várias aves vocalizando constantemente, dentre elas o Estalador (Corythopis delalandi), o Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus), o Pitiguari (Cychlaris gujanensis), a Choquinha-lisa (Dysithamnus mentalis), o Surucuá-variado (Trogon surrucura) e várias outras espécies comuns em nossas matas, mas que juntas, impressionam e muito os visitantes.
Seguimos pela estrada de terra que corta o fragmento e as espécies detectadas foram aumentando, assim como o deslumbramento de nossos amigos curitibanos com a nossa rica avifauna e as belezas cênicas sempre presentes nas passarinhadas. Luciano e Roberto ficaram de queixo caído com as enormes e imponentes Perobas e Figueiras que dividem o protagonismo do momento com as diversas espécies que as utilizam como poleiros. Foi possível observar bandos de Maitaca-verde (Pionus maximiliani), Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus), Periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalmus), Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), Anambé-branco-de-rabo-preto (Tityra cayana), Anambé-branco-de-bochecha-parda (Tityra inquisitor), Viuvinha (Colonia colonus), Saíra-de-papo-preto (Hemithraupis guira), Benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons) dentre outros.
Mas a espécie que mais marcou os visitantes pela beleza ímpar e por ser um lifer (inédita) para eles, foi a Tietinga (Cissopis leverianus), que é uma ave alvinegra com cauda longa e olhos amarelos. Descrever uma ave preta e branca pode não parecer muito empolgante, então aí vai uma boa imagem desta magnífica ave.
Fonte: SINGER, M. (2010) Wikiaves: www.wikiaves.com/208300 |
Pouco tempo após o registro da Tietinga, o "passarinheiro" Luciano disse "...Londrina é o local ideal para observação de aves pois tem muitas espécies e o tempo é sempre bom...", referindo-se ao clima chuvoso de Curitiba e demais localidades serranas onde há mais procura pela atividade de Birdwatching.
OBS: Fica a dica! Londrina é o bicho para birdwatching, bora passarinhar! hehehehe
Paramos para almoçar, e quem nos fez companhia foi um casal de Araçari-poca (Selenidera maculirostris) que também alegrou bastante nossos colegas da capital.
Após o almoço ainda fizemos uma caminhada até o início da estrada, onde a mata é mais aberta e por isso há bastante capim e bambú. Lá encontramos bichos típicos destes ambientes, dentre eles duas espécies comuns por aqui mas que lá em Curitiba não ocorrem, são elas a Choca-barrada (Thamnophilus doliatus) a Marianinha-amarela (Capsiempis flaveola) que também cativaram os visitantes.
Pronto, nossa passarinhada florestal havia chegado ao fim, e já era hora de rumar para o parque Daisaku Ikeda que ficava no meio do caminho de volta, em busca de um bom registro de Carão. Chegamos lá, subimos no mirante do parque, e lá de cima apresentamos o local para Roberto e Luciano, em seguida descemos e pegamos a "Trilha da Corimba" que margeia a represa e seu brejo circundante, e não demorou muito para avistar um bando de Carões, e naquele momento a satisfação tomou conta de Roberto, que titubeou para seguir a caminhada pelo restante da trilha pois não queria perder as aves de vista - um pouquinho de exagero didático mas ele realmente ficou muito feliz em vê-los hehehe.
Carão (Aramus guarauna) no parque Daisaku Ikeda (Foto: Renan Oliveira) |
Após deixarmos o Carão para trás, seguimos pela trilha e avistamos ainda alguns Jaçanãs (Jacana jacana), Frango-d´água (Gallinula galeata) e paramos para descansar e se esquivar do sol quente no "Espaço Irerê" (onde foi feita a primeira foto desta postagem) onde permanecemos por algum tempo jogando conversa fora. Decidimos então voltar pela trilha de onde viemos, quando escutamos uma pomba!
Caso alguém aí indagou:
Caso alguém aí indagou:
- Poxa vida lá vem vocês falando de pomba novamente!?
Calma, novamente não era qualquer pombo, era uma Fogo-apagou (Columbina squammata) uma pomba típica da zona rural, cujo canto traduziram como "♫ fogo-pagou ♪" (quem quiser conferir acesse http://www.wikiaves.com.br/450606&p=2&tm=s&t=u&u=3134), além de sua aparência em que a coloração e desenho das penas faz lembrar um tronco queimado (foto).
Fogo-apagou (Columbina squammata) fonte: KISIELEWSKI (2011) www.wikiaves.com.br/525044&t=s&s=10387&p=1 |
E assim encerramos as atividades do ano de 2011 do grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE, e queremos deixar nossos sinceros agradecimentos a todos aqueles que leem, comentam ou assinam nosso blog, e a todos os que participaram das passarinhadas este ano.
Que o ano que vem chegando seja repleto de oportunidades para boas saídas a campo, cheias de vida e de cor como nós da ONG MAE e todos os nossos seguidores e simpatizantes queremos que seja, SEMPRE!
Desejamos a todos a alegria de poder contemplar aquilo que nos foi dado gratuitamente por algo muito maior do que nós, e que um dia possamos ensinar a todos o valor de tudo aquilo que está a nossa volta. Que valorizemos cada vez mais toda a beleza e graça da natureza que nos cerca, e que aprendamos tudo o que ela tem a nos ensinar.
Valorize a VIDA, pois ela é o único bem de todos!
Feliz Natal a todos e um Próspero Ano Novo!!!
São os votos da ONG MAE!
ps: abaixo segue a lista com todas as espécies (126 no total) detectadas nestes dois dias de Passarinhada!
- Alegrinho (Serpophaga subcristata)
- Alma-de-gato (Piaya cayana)
- Anambé-branco-de-bochecha-parda (Tityra inquisitor)
- Anambé-branco-de-rabo-preto (Tityra cayana)
- Andorinha-do-campo (Progne tapera)
- Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer)
- Andorinhão-do-temporal (Chaetura meridionalis)
- Andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca)
- Anú (Crotophaga ani)
- Anú-branco (Guira guira)
- Araçari-poca (Selenidera maculirostris)
- Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius)
- Arapaçu-liso (Dendrocincla turdina)
- Arapaçu-rajado (Xiphorhynchys fuscus)
- Arapaçu-verde (Sittasomus griseicapillus)
- Arredio-oliváceo (Cranioleuca obsoleta)
- Avoante (Zenaida auriculata)
- Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus)
- Beija-flor-de-testa-roxa (Thalurania glaucopis)
- Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura)
- Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
- Bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus)
- Benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons)
- Bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens)
- Biguá (Phalacrocorax brasilianus)
- Borralhara (Mackenziaena severa)
- Cambacica (Coereba flaveola)
- Canário-do-mato (Basileuterus flaveolus)
- Caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus validus)
- Caneleiro-preto (Pachyramphus polychopterus)
- Carão (Aramus guarauna)
- Carcará (Caracara plancus)
- Choca-barrada (Thamnophilus doliatus)
- Choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens)
- Chocão-carijó (Hypoedaleus guttatus)
- Chopim (Molothrus bonariensis)
- Choquinha-lisa (Dysithamnus mentalis)
- Coleirinho (Sporophila caerulescens)
- Corruíra (Troglodytes musculus)
- Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
- Currutié (Certhiaxis cinamomeus)
- Enferrujado (Lathrotriccus euleri)
- Estalador (Corythopis delalandi)
- Figuinha-de-rabo-castanho (Conirostrum speciosum)
- Flautim (Schiffornis virescens)
- Fogo-apagou (Columbina squammata)
- Frango-d´água (Gallinula galeata)
- Garça-branca-grande (Ardea alba)
- Garça-branca-pequena (Egretta thula)
- Garça-vaqueira (Bulbucus íbis)
- Gavião-carijó (Rupornis magnirostris)
- Gralha-picaça (Cyanocorax chrysops)
- Gritador (Sirystes sibilator)
- Guaracava-cinzenta (Myiopagis caniceps)
- Guaracava-de-crista-alarajanda (Myiopagis viridicata)
- Guaxe (Cacicus haemorrhous)
- Inhambu-chororó (Crypturellus tataupa)
- Inhambu-guaçu (Crypturellus obsoletus)
- Jaçanã (Jacana jacana)
- Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus)
- João-de-barro (Furnarius rufus)
- João-teneném (Synallaxis spixi)
- Juriti (Leptotila rufaxilla)
- Juriti-pupu (Leptotila verreauxi)
- Juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus)
- Limpa-folhas-de-testa-baia (Philydor rufum)
- Limpa-folhas-ocráceo (Philydor licktensteini)
- Macuquinho (Eleoscytalopus indigoticus)
- Maitaca-verde (Pionus maximiliani)
- Maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado (Myiarchus tyrannulus)
- Marianinha-amarela (Capsiempis flaveola)
- Mariquita (Parula pitiayumi)
- Martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona)
- Nei-nei (Megarynchus pitangua)
- Papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera)
- Peitica (Empidonomus varius)
- Periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalmus)
- Periquito-rico (Brotogeris tirica)
- Petrim (Synallaxis frontalis)
- Pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis)
- Pica-pau-anão-de-coleira (Picumnus temmincki)
- Pica-pau-branco (Melanerpes candidus)
- Pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus)
- Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris)
- Pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros)
- Pichororé (Synallaxis ruficapilla)
- Pimentão (Saltator fuliginosus)
- Pinto-do-mato (Hylopezus nattereri)
- Pitiguari (Cyclarhis gujanensis)
- Policia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris)
- Pomba-galega (Patagioenas cayenensis)
- Pombão (Patagioenas picazuro)
- Pula-pula (Basileuterus culicivorus)
- Pula-pula-assobiador (Basileuterus leucoblepharus)
- Quero-quero (Vanellus chilensis)
- Rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei)
- Risadinha (Camptostoma obsoletum)
- Rolinha-roxa (Columbina talpacoti)
- Sabiá-barranco (Turdus leucomelas)
- Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)
- Sabiá-poca (Turdus amaurochalinus)
- Saci (Tapera naevia)
- Saíra-de-papo-preto (Hemithraupis guira)
- Sanhaço-cinzento (Tangara sayaca)
- Savacu-dorminhoco (Nycticorax nycticorax)
- Socozinho (Butorides striata)
- Sovi (Ictinia plúmbea)
- Suiriri (Tyrannus melancholichus)
- Surucuá-variado (Trogon surrucura)
- Tangará (Chiroxiphia caudata)
- Tejo-do-campo (Mimus saturninus)
- Tesourinha (Tyrannus savana)
- Tico-tico (Zonotrichia capensis)
- Tico-tico-do-campo (Ammodramus humeralis)
- Tiê-de-topete (Lanio melanops)
- Tiê-do-mato-grosso (Habia rubica)
- Tiê-preto (Tachyphonus coronatus)
- Tietinga (Cissopis leverianus)
- Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis)
- Tiziu (Volatinia jacarina)
- Tovaca-campainha (Chamaeza campanisona)
- Trinca-ferro (Saltator similis)
- Tuím (Forpus xanthopterygius)
- Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)
- Urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)
- Viuvinha (Colonia colonus)