Bem vindo ao Blog de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE!

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Se você é ornitólogo profissional ou amador, ou um simples amante da natureza em especial da avifauna, este é o seu Blog. De agora em diante serão postadas novidades, notícias e informações interessantes obtidas através das pesquisas e atividades realizadas pela ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, sobre a avifauna brasileira.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE orienta aluno de graduação da UNIFIL em trabalho com aves.

Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) no Jardim Botânico de Londrina
     O Grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE conta com profissionais capacitados e com vasta experiência na área. E além da atividade de Observação de Aves (Birdwatching), os profissionais do grupo contribuem ainda para pesquisas e trabalhos acadêmicos com aves. Um exemplo foi a co-orientação - agora já graduado Gestor Ambiental - Gustavo Garcia Sanches, em seu trabalho de conclusão de curso pelo Centro Universitário Filadélfia (UNIFIL) em Londrina. Gostaríamos de agradecer ao próprio Gustavo pela oportunidade, e ao seu orientador o Professor Ms. Horácio Mori - profissional de competência inquestionável na área de Zoologia - por ter aceitado esta parceria.
     Para contar um pouco sobre este trabalho, resolvemos postar um depoimento do próprio autor:
     "Como escolha do tema para o Trabalho de Conclusão de Curso, eu, não restavam dúvidas, decidi fazer algo relacionado aos "seres penosos" e, aproveitando o ensejo de poder estudar as aves de uma área com poucas pesquisas, convidei para ser meu co-orientador o amigo e ornitólogo Renan Campos de Oliveira, cuja experiência em trabalhos de campo com aves merecia uma narrativa a parte. A área escolhida para tal incumbência foi o Jardim Botânico de Londrina, um fragmento de mata relativamente isolado e inserido em uma matriz urbana, que sofre uma pressão antrópica bastante significativa, reforçando ainda mais a importância de se estudar as fauna - especialmente as aves - desta área.
     Durante os meses de Fevereiro/2012 a Maio/2012 fizemos incursões quinzenais ao Jardim Botânico, a fim de se levantar a maior quantidade de espécies de aves possíveis, utilizando, dessa forma, os seres alados como indicadores de qualidade do ambiente. Por se tratar de um fragmento com um recorte bastante retangular e inserido em um oceano de condomínios horizontais e plantações de soja, não nos espantou a baixa ocorrência de espécies florestais e, tampouco o grande afluxo de espécies generalistas, que se beneficiam e muito com essas alterações estruturais.
     Entretanto, para nossa quase síncope e frutífera alegria, ouvimos alguns bichos que são raros na região e, que possivelmente estão utilizando a área do Jardim Botânico como abrigo temporário (ou permanente, haja vista que não fizemos estudo de sazonalidade), demonstrando a importância de se conservar pequenos fragmentos, mesmo aqueles inseridos em áreas urbanas. Alguns destes “highlights” do estudo foram; Trovoada-de-bertoni – Drymophila rubricollis, Peixe-frito-pavonino – Dromococcyx pavoninus, Negrinho-do-mato – Cyanoloxia moesta, Gavião-miúdo – Accipiter striatus e o imponente Falcão-relógio – Micrastur semitorquatus.
     Ao fim e ao cabo do estudo, como produto final foi gerado uma lista com 136 espécies de aves, incluindo espécies aquáticas, florestais e campo aberto, sendo um material que vem a somar com as listas de aves londrinenses e servindo como referência para futuros estudos na região do Jardim Botânico e que, vale ainda dizer, nada impede de que novas espécies de aves possam ser registradas no local do estudo."
     Como viram, sem dúvidas foi um trabalho engrandecedor tanto para o Gustavo quanto para o nosso grupo. Não conseguimos fotos dos "Highlights" citados pelo Gustavo, no entanto vale a pena destacar outros penosos interessantes e belos que encontramos por lá, como o Mergulhão-pequeno (Tachybaptus dominicus):

a esguia Maria-faceira (Sirygma sibilatrix):

o Pimentão (Saltator fuliginosus) e seu bico rubro:

o sempre bem-vindo Tucano-do-bico-verde (Ramphastos dicolorus):

e o valente casal de Falcão-de-coleira (Falco femoralis)
     
     Como bons ambientalistas e amantes da natureza, não somos de fechar os olhos para demais grupos animais que encontramos durante nossas expedições. E tivemos também contato visual direto com um simpático Preá (Cavea aperea) que apareceu na estrada e veio em nossa direção passando a meio metro de nós (maravilhados e atônitos no momento), e   uma família de Furão-pequeno (Galictis cuja) pouco tempo depois na mesma estrada, todos tão embaralhados entre si que de longe parecia uma bola de pêlos no meio da estrada.
     Encontramos também rastros do arisco Mão-pelada (Procyon cancrivorus):
Rastro de Mão-pelada (Procyon cancrivorus)

Bom, é isso!
Esperamos que tenham gostado dos relatos, e aguardem novas postagens!
 
E como não podia faltar, a seguir a lista completa das espécies registradas durante o estudo:

Nomes Científicos
Nomes Populares
Tinamidae (Inhambús)

Crypturellus tataupa
Rhynchotus rufescens
inhambu-chintã
perdiz
Anatidae (Marrecas)

Cairina moschata
Amazonetta brasiliensis
pato-do-mato
pé-vermelho
Cracidae (Jacús)

Penelope superciliaris
jacupemba
Podicipedidae (Mergulhões)

Tachybaptus dominicus
mergulhão-pequeno
Phalacrocoracidae (Biguás)

Phalacrocorax brasilianus
biguá
Ardeidae (Garças)

Butorides striata
socózinho
Cathartidae (Urubus)

Coragyps atratus
urubu-de-cabeça-preta
Accipitridae (Gaviões)

Accipiter striatus
Rupornis magnirostris
gavião-miúdo
gavião-carijó
Falconidae (Falcões)

Caracara plancus
Milvago chimachima
Micrastur semitorquatus
Falco femoralis
caracará
carrapateiro
falcão-relógio
falcão-de-coleira
Rallidae (Saracuras)

Aramides saracura
Gallinula chloropus
Porphyrio martinica
saracura-do-mato
frango-d’água-comum
frango-d’água-azul
Charadriidae (Batuiras)

Vanellus chilensis
quero-quero
Scolopacidae (Maçaricos)

Tringa solitaria
maçarico-solitário
Jacanidae (Jaçanãs)

Jacana jacana
jaçanã
Columbidae (Pombos)

Columbina talpacoti
Columbina squammata
Columbina picui
Patagioenas picazuro
Patagioenas cayennensis
Zenaida auriculata
Leptotila verreauxi
Leptotila rufaxilla
rolinha-roxa
fogo-apagou
rolinha-picui
pombão
pomba-galega
pomba-de-bando
juriti-pupu
juriti-gemedeira
Psittacidae (Papagaios)

Aratinga leucophthalma
Forpus xanthopterygius
Pionus maximiliani
periquitão-maracanã
tuim
maitaca-verde
Cuculidae (Anús)

Piaya cayana
Crotophaga ani
Guira guira
Dromococcyx pavoninus
alma-de-gato
anu-preto
anu-branco
peixe-frito-pavonino
Strigidae (Corujas)

Athene cunicularia
coruja-buraqueira
Caprimulgidae (Bacuraus)

Nyctidromus albicollis
bacurau
Trochilidae (Beija-flores)

Phaethornis pretrei
Phaethornis eurynome
Eupetomena macroura
Chlorostilbon lucidus
Amazilia lactea
rabo-branco-acanelado
rabo-branco-de-garganta-rajada
beija-flor-tesoura
besourinho-de-bico-vermelho
beija-flor-de-peito-azul
Trogonidae (Surucuás)

Trogon surrucura
surucuá-variado
Alcedinidae (Martim-pescador)

Megaceryle torquata
Chloroceryle amazona
Chloroceryle americana
martim-pescador-grande
martim-pescador-verde
martim-pescador-pequeno
Momotidae (Juruvas)

Baryphthengus ruficapillus
juruva-verde
Ramphastidae (Tucanos)

Selenidera maculirostris
araçari-poca
Picidae (Pica-paus)

Picumnus temminckii
Melanerpes candidus
Colaptes melanochloros
Celeus flavescens
Dryocopus lineatus
pica-pau-anão-de-coleira
pica-pau-branco
pica-pau-verde-barrado
pica-pau-de-cabeça-amarela
pica-pau-de-banda-branca
Thamnophilidae (Chocas)

Hypoedaleus guttatus
Mackenziaena severa
Thamnophilus doliatus
Thamnophilus caerulescens
Dysithamnus mentalis
Drymophila rubricollis
Pyriglena leucoptera
chocão-carijó
borralhara
choca-barrada
choca-da-mata
choquinha-lisa
trovoada-de-bertoni
papa-taoca-do-sul
Conopophagidae (Chupa-dente)

Conopophaga lineata
chupa-dente
Dendrocolaptidae (Arapaçus)

Sittasomus griseicapillus
Campylorhamphus falcularius
arapaçu-verde
arapaçu-de-bico-torto
Furnariidae (João-de-barro)

Furnarius rufus
Synallaxis ruficapilla
Synallaxis frontalis
Synallaxis spixi
Certhiaxis cinnamomeus
Philydor lichtensteini
Lochmias nematura
joão-de-barro
pichororé
petrim
joão-teneném
curutié
limpa-folha-ocráceo
joão-porca
Tyrannidae (Bem-te-vis)

Leptopogon amaurocephalus
Corythopis delalandi
Myiornis auricularis
Myiopagis viridicata
Elaenia flavogaster
Camptostoma obsoletum
Tolmomyias sulphurescens
Myiophobus fasciatus
Lathrotriccus euleri
Pyrocephalus rubinus
Colonia colonus
Machetornis rixosa
Myiozetetes similis
Pitangus sulphuratus
Myiodynastes maculatus
Megarynchus pitangua
Empidonomus varius
Tyrannus melancholicus
Tyrannus savana
Sirystes sibilator
Myiarchus ferox
cabeçudo
estalador
miudinho
guaracava-de-crista-alaranjada
guaracava-de-barriga-amarela
risadinha
bico-chato-de-orelha-preta
filipe
enferrujado
príncipe
viuvinha
suiriri-cavaleiro
bentevizinho-de-penhacho-vermelho
bem-te-vi
bem-te-vi-rajado
neinei
peitica
suiriri
tesourinha
gritador
maria-cavaleira
Pipridae (Tangarás)

Chiroxiphia caudata
tangará
Tityridae (Araponguinhas)

Pachyramphus polychopterus
Pachyramphus validus
caneleiro-preto
caneleiro-de-chapéu-preto
Vireonidae (Juruviaras)

Cyclarhis gujanensis
pitiguari
Corvidae (Gralhas)

Cyanocorax chrysops
gralha-picaça
Hirundinidae (Andorinhas)

Pygochelidon cyanoleuca
Tachycineta albiventer
andorinha-pequena-de-casa
andorinha-do-rio
Troglodytidae (Corruíra)

Troglodytes musculus
corruíra
Turdidae (Sabiás)

Turdus rufiventris
Turdus leucomelas
Turdus amaurochalinus
sabiá-laranjeira
sabiá-barranco
sabiá-poca
Mimidae (Sabiá-do-campo)

Mimus saturninus
sabiá-do-campo
Coerebidae (Cambacica)

Coereba flaveola
cambacica
Thraupidae (Sanhaços)

Saltator fuliginosus
Saltator similis
Cissopis leverianus
Nemosia pileata
Pyrrhocoma ruficeps
Trichothraupis melanops
Tachyphonus coronatus
Thraupis sayaca
Tersina viridis
Dacnis cayana
Hemithraupis guira
Conirostrum speciosum
pimentão
trinca-ferro-verdadeiro
tietinga
saíra-de-chapéu-preto
cabecinha-castanha
tiê-de-topete
tiê-preto
sanhaçu-cinzento
saí-andorinha
saí-azul
saíra-de-papo-preto
figuinha-de-rabo-castanho
Emberizidae (Papa-capins)

Zonotrichia capensis
Ammodramus humeralis
Sicalis flaveola
Volatinia jacarina
Sporophila caerulescens
Coryphospingus cucullatus
tico-tico
tico-tico-do-campo
canário-da-terra-verdadeiro
tiziu
coleirinho
tico-tico-rei
Cardinalidae (Cardeais)

Habia rubica
Cyanoloxia moesta
tiê-do-mato-grosso
negrinho-do-mato
Parulidae (Pula-pulas)

Parula pitiayumi
Geothlypis aequinoctialis
Basileuterus culicivorus
Basileuterus flaveolus
Basileuterus leucoblepharus
mariquita
pia-cobra
pula-pula
canário-do-mato
pula-pula-assobiador
Icteridae (Chopins)

Cacicus haemorrhous
Molothrus bonariensis
Sturnella superciliaris
guaxe
vira-bosta
polícia-inglesa-do-sul
Fringilidae (Gaturamos)

Euphonia chlorotica
fim-fim
Passeridae (Pardal)

Passer domesticus
pardal

sábado, 20 de outubro de 2012

1º Inventário Participativo de Aves do Paraná - IPAVE-PR, a ONG MAE participou!

Renan Oliveira, Gustavo Sanches, Eduardo Patrial e Marcelo Arasaki. Equipe da ONG MAE  em campo na cidade de Miraselva - PR, para o 1º IPAVE. Foto: Renan Oliveira, 2012
      Recentemente, a ornitologia paranaense completou 100 anos em iniciativa da empresa Hori Consultoria Ambiental (www.hori.com.br), e de pessoas e entidades da área da Ornitologia, foi organizado e realizado o primeiro 1º Inventário Participativo de Aves do Paraná (1º IPAVE-PR). A idéia deste projeto era que voluntários - profissionais ou amantes da ornitologia - realizassem entre os dias 22 a 30 de setembro de 2012 (semana do centenário da ornitologia paranense) excursões a campo em todo estado do Paraná, afim de registrar o maior número de espécies de aves neste período, cada um sendo responsavel ou co-responsável pela sua região natal ou região escolhida.
     Nestes moldes, a equipe de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE - nas pessoas deste que vos fala (Renan Oliveira), Eduardo Patrial, Marcelo Arasaki e Gustavo Sanches - decidiu participar e colaborar para este ambicioso e pioneiro projeto da Ornitologia paranaense, e a vontade de colaborar era tanta que resolvemos colaborar não apenas com dados de Londrina, mas também das cidades vizinhas Ibiporã, Miraselva, Mauá da Serra e Apucarana.
     Com as cidades e locais definidos, partimos para as excursões ornitológicas em Londrina e região. Começamos pela própria cidade de Londrina, numa área muito conhecida por nós da ONG MAE, e também pelos visitantes de outras cidades que nos contratam como Guia de Observação de Aves em Londrina, a Fazenda Colorado. Decidimos começar por lá pois é uma área cujo histórico de estudos ornitológicos é bastante recente, e abriga centenas de espécies inclusive algumas raridades e exclusividades.
     Nossa amostragem foi de 8 horas na Fazenda Colorado, começando às 6:30 da manhã, terminando às 20:00, com intervalo das 10:30 às 16:00 (horário de menor atividade das aves). O resultado desta primeira amostragem foram registradas 104 espécies, dentre elas algumas pratas da casa, destaque para o Tico-tico-do-mato (Arremon semitorquatus), a Choquinha-de-dorso-vermelho (Drymophila ochropyga), o Trovoada-de-bertoni (Drymophila rubricollis), o Olho-falso (Hemitriccus diops), o Macuquinho (Eleoscytalopus indigoticus), o Tapaculo-pintado (Psiloramphus guttatus), a Tovaca-campainha (Chamaeza campanisona), o Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius), o Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) e o Saí-canário (Thlypopsis sordida). A lista completa desta amostragem pode ser conferida no site Táxeus pelo link: http://www.taxeus.com.br/lista.jsf?c=1025
     A segunda amostragem foi feita na cidade de Miraselva - PR, na Fazenda Colombo, onde há 2 grandes fragmentos florestais de reserva legal. Lá foram aplicadas 7 horas amostrais, começando às 7:30 horas, e extendendo até as 14:30. O resultado desta empreitada foi uma lista de 80 espécies, com destaque para o Tico-tico-do-bico-amarelo (Arremon flavirostris), o Canário-do-mato (Basileuterus flaveolus), o Pica-pau-anão-pontilhado (Picumnus albosquamatus), novamente o bonito Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus). A lista completa pode ser conferida no Táxeus pelo link: http://www.taxeus.com.br/lista.jsf?c=1065.
     A terceira amostragem foi em Londrina, na fazenda Tangará (entorno do Parque Estadual Mata dos Godoy), e o esforço amostral foi de 4 horas, começando às 6:30 às 10:30. O resultado desta expedição foi uma lista de 122 espécies, e os destaques ficaram para o Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus), o Guaracavuçu (Cnemotriccus fuscatus), e o imponente Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis). A lista completa pode ser conferida no link: http://www.taxeus.com.br/lista.jsf?c=1063
    A quarta amostragem foi em Apucarana, que na verdade foram 2 amostragens, sendo a primeira no Parque Ecológico da Raposa e a segunda no Parque da Colônia Mineira. Como o maior esforço foi no parque da Raposa (das 07:30 às 10:30), e a passagem pelo Colônia Mineira foi mais para "não perder a viagem", resolvemos deixar como uma lista apenas. A idéia de ter ido passarinhar nestes parques é por serem relativamente próximos e de fácil acesso, e por eu (Renan), durante um trabalho de consultoria, avistei duas espécies raríssimas para nossa região no Parque da Raposa em 2009. Eram elas a Tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris) que se apresentaram na época em casal, e permaneceram um bom tempo parados interagindo - uma das maiores frustrações ornitológicas minhas é não ter uma câmera no momento - e um registro auditivo de Jaó (Cripturellus undulatus), outra ave muito rara no estado do Paraná inclusive citada como Criticamente Ameaçada de Extinção no estado.
    Apesar de nossos esforços, não conseguimos encontrar nenhuma das duas espécies, a tristeza só não foi tão grande quando a sentida ao ver a atual situação dos dois parques. Literalmente abandonados, sem segurança alguma, sem controle de acesso e usados como vazadouros de lixo (especialmente o Raposa). Obviamente ficou claro o motivo da ausência de ambas espécies, o absoluto abandono. E o que me entristece ainda mais, é que fiz parte da equipe que elaborou o plano de manejo dos dois parques, e ver que nenhuma das recomendações e orientações estão sendo realmente aplicadas. 
    No entanto, ainda assim tivemos uma grata surpresa, no Parque Colonia Mineira - o menor deles - quando avistamos um belo Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) pousado. Não perdemos tempo e fizemos algumas fotos, eis uma delas.
Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis). Foto: Oliveira, 2012. http://www.wikiaves.com.br/758462&p=1&t=u&u=3134&s=10195
      E por fim, a última amostragem para o IPAVE, ficou para Mauá da Serra. Um local ornitologicamente novo para nós da ONG MAE, pois já conhecíamos o lugar mas nunca fomos exclusivamente para passarinhar. E por nossa sorte, era um local riquíssimo em diversidade, com espécies raras para a região norte do Paraná. Mauá da Serra fica ao sul de Londrina, e as matas de lá são representativas da fitofisionomia Ombrófila Mista (Mata Atlântica com Araucárias), diferente dos padrões londrinenses de Floresta Atlântica Estacional Semi-decidual. É uma região de relevo bastante acidentado que oferece várias paisagens e visuais magníficos, e como esperado, também espécies magníficas.
     Para começar, logo fomos recebidos pelo arisco Macuquinho (Eleoscytalopus indigoticus), o Beija-flor-de-papo-branco (Leucochloris albicollis), o belo Tecelão (Cacicus chrysopterus), o Picapauzinho-verde-carijó (Veniliornis spilogaster), dentre vários outros amigos penosos. Pouco depois fomos surpreendidos com 3 belos registros. O primeiro, que surpreendeu bastante a todos, foi o Sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus), ave de coloração azul forte, com detalhes em negro, nuca esbranquiçada e topete vermelho, ave até então de distribuição pouco conhecida na região. 
Sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus), Foto: Oliveira, 2012.
http://www.wikiaves.com.br/760345&p=1&t=c&c=4115754&s=11587
    A segunda surpresa foi a presença do Grimpeiro (Leptasthenura setaria), ave famosa pela sua forte ligação com a Araucária (Araucaria angustifolia), também conhecida como Pinheiro-do-paraná. O Grimpeiro tem este nome pois passa praticamente toda a vida nas ramagens da Araucária, popularmente conhecidas como Grimpas. Nós da ONG MAE sempre suspeitamos da presença desta ave na região, uma vez que existem vários locais em Londrina por exemplo, com aglomerados de Araucaria, ainda que introduzidos, mas que poderiam muito bem abrigar o Grimpeiro. Agora nossa busca por este bicho em Londrina se intensificará pois com nossos registros em Mauá da Serra, e os registros conhecidos para Apucarana, é bem provável que eles se "escondam" em algum ponto da nossa Pequena-Londres. A melhor foto que conseguimos não é um primor, mas dá para reconhecer o bichinho, e há também nossas gravações da sua vocalização (http://www.wikiaves.com.br/760388&p=1&tm=s&t=u&u=3134&s=11059).
Grimpeiro (Leptasthenura setaria). Foto: Oliveira, 2012.
http://www.wikiaves.com.br/760328&p=1&t=u&u=3134&s=11059
      A terceira surpresa ficou a cargo da Choquinha-carijó (Drymophila malura), ave típica de bambuzais e  bordas de mata densa, e que há algum tempo estava sumida de nossos olhos e ouvidos na região. A ave não deu moleza para foto - como sempre, mas fizemos gravações excelentes de seu canto típico, vale conferir: http://www.wikiaves.com.br/760407&p=1&tm=s&t=u&u=3134&s=10900).
      Mas as surpresas aladas do local ainda não haviam acabado. Seguimos pela estrada sinuosa entre os vales florestados, e fomos surpreendidos por uma vocalização característica, e que de imediato confirmamos ser a Borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii), ave rara em Londrina, mas que em Mauá da Serra mostrou-se tão presente quanto sua irmã mais comum e menos ornamentada, a Borralhara (Mackenziaena severa). Foi outra ave que não deu mole para fotos, mas conseguimos a gravação de seu chamado ímpar, que pode ser conferido em: http://www.wikiaves.com.br/760412&p=1&tm=s&t=u&u=3134&s=10807.
      Mais adiante, um pica-pau cruzou a estrada em nossa frente, e ficou tempo suficiente para que fosse identificado no binóculo, e para que as câmeras fossem ligadas, mas antes que pudéssemos disparar ele voou. Era o belo Pica-pau-dourado (Piculus aurulentus), ave de hábitos discretos muito escassa na região, e que costuma viver solitária dificultando sua detecção.
      Seguimos nossa jornada e a lista das espécies foi aumentando, e nós cada vez mais impressionados com a riqueza do local, que possui uma variedade tão grande de ambientes que encontramos uma ave típica de matas de altitude, mas que as vezes se aventura em altitudes mais baixas. Era o Tico-tico-da-taquara (Poospiza cabanisi), ave de piados discretos e curtos que não podemos dizer que "não deu mole", pois ele facilitou várias vezes a foto, mas nos faltou destreza (e talvez equipamentos) para fotos melhores do que esta abaixo rsrsrs. 
Tico-tico-da-taquara (Poospiza cabanisi) Foto: Oliveira, 2012.
http://www.wikiaves.com.br/760340&p=1&t=u&u=3134&s=11821
   E a lista completa desta expedição à Mauá da Serra (125 espécies) pode ser conferida pelo link: http://www.taxeus.com.br/lista.jsf?c=1058. E assim "resumimos" a semana de colaboração da ONG MAE para o 1º IPAVE-PR, que sem dúvidas, foi uma semana de grandes registros e que nos deu uma boa injeção de ânimo na busca por novos registros no norte do Paraná. Gostaríamos de agradecer aos organizadores e incentivadores deste projeto, e a todos os ornitólogos profissionais ou amadores que de alguma forma contribuíram para esta iniciativa. É a ornitologia paranaense crescendo cada vez mais, e mostrando a que veio. Para que tenham idéia, no dia em que escrevemos esta postagem, a última contagem (14/10/12) de espécies registradas no Paraná pelo IPAVE estava em 512, e com certeza deve ter aumentado. A última publicação oficial sobre a diversidade de aves paranaense cita um total 744 espécies registradas em décadas de pesquisa, se pensarmos que em apenas 1 semana conseguimos mais de 500, é algo para nos orgulhar.
                   
                       PARABÉNS A TODOS!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ONG MAE ministra vivência de Observação de Aves no III ECBUEL

Turma participante das vivências
     Pelo III Encontro de Ciências Biológicas (ECBUEL), que comemora 40 anos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina, foi realizada a vivência “Observação de Aves na Fazenda Figueira” em conjunto com a vivência “Desvendando a Flora na Fazenda Figueira” no dia 31/07, última terça-feira de julho. Os monitores Renan Oliveira e Marcelo Arasaki, do grupo de Ornitologia da ONG MAE, foram convidados a oferecer uma manhã da prática de observação de aves para graduandos, mestrandos e participantes do encontro. O objetivo da atividade era divulgar a observação de aves como prática sustentável.
     A Fazenda Figueira, localizada no patrimônio Guairacá, zona rural do município de Londrina, possui algumas áreas florestais transformadas em RPPN chamada Mata do Barão. Essas matas formam um complexo de fragmentos florestais em boas condições de conservação, ótimos para a pesquisa da fauna e flora nativas da região. O caminho para chegar ao local é um tanto longo, com quase 50 km. 
      Antes da chegada do grupo ao local da atividade, Renan e eu chegamos mais cedo para revisar a trilha e os pontos onde as aves normalmente estão mais ativas. Ao percorrer a trilha entre as 07:30 e 08:30 da manhã, logo nos deparamos com uma boa quantidade de espécies da avifauna a maioria bantante comuns nas florestas da nossa região.
     
Momento no mirante do fim da trilha.
     Após a chegada da turma nos reunimos no inicio do percurso para apresentar o local, a atividade e o que poderíamos encontrar naquele dia. Cada participante recebeu um “checklist” com as mais de 320 espécies já registradas pelo grupo de ornitologia. Renan mostrou os equipamentos e as técnicas necessárias para a prática de observação de aves além do comportamento do “birder” durante a atividade.
     Logo no início do percurso já foram registradas espécies comuns como o pula-pula (Basileuterus culicivorus), arapaçu-verde (Sitassomus griseicapillus) e o chocão-carijó (Hypoedalus gutatus). Outras aves bastante comuns como os periquitões-maracanã (Aratinga leucophtalmus), as maritacas-verdes (Pionus maximiliani) e as tiribas-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) não poderiam faltar e chamaram muita atenção pela gritaria típica de seus familiares. Espécies mais incomuns como o inhambuguaçu (Crypturellus obsoletus) e a jandaia-de testa-amarela (Aratinga auricapillus), ameaçada de extinção no estado do Paraná, também foram registradas. 
     Ao longo da trilha foram registradas também outras espécies como o barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophtalmus), o pica-pau-anão-carijó (Picumnus temminckii), o surucuá-variado (Trogon surrucura) e o pitiguari (Cyclarhis gujanensis). Alguns beija-flores também foram registrados como o beija-flor-de fronte-violeta (Thalurania glaucopis) e o rabo-branco-pequeno (Phaethornis eurynome). As saíras-do-papo-preto (Hemithraupis guira), os tiês-de-topete (Lanio melanops) e o tiê-do-mato-grosso (Habia rubica) apareceram para representar o seleto grupo das aves frugívoras, além do gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala) com seu chamado que ecoa, nos últimos dias deles por aqui (migram para locais com temperetura mais amena).
     Como sempre, exitem aqueles momentos de emoção nas “passarinhadas” quando encontramos espécies raras e belas. Desta vez fomos agraciados pela notável presença do surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) já no final da trilha. A vocalização de ritmo constante característica da espécie foi gravada por Renan Oliveira (http://www.wikiaves.com.br/704639&p=1&tm=s&t=b), além das fotos (Figura 2 e 3),  feitas por Renan Oliveira e Marcelo Arasaki respectivamente. “Essa espécie é muito difícil de encontrar por aqui! Só de conseguir vê-la já valeu a atividade!” comentaram os monitores.
Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) por OLIVEIRA (2012).
http://www.wikiaves.com.br/704639&p=1&tm=s&t=b
Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) por ARASAKI (2012)
 http://www.wikiaves.com.br/705111&p=1&t=u&u=7038  
     No caminho de volta pela trilha, já satisfeitos com a presença do lindo surucuá, ainda fomos supreendidos - em especial os participantes que nunca tinham visto tal ave - ao registrar o sobrevôo de um casal de urubus-reis (Sarcoramphus papa). A cena deixou a turma estasiada, acabando por atrapalhar (de forma positiva é claro) a atividade de identificação das árvores. Então finalizamos com chave-de-ouro a primeira atividade prática do III ECB-UEL totalizando 43 espécies de aves, resultado ótimo com as condições que se apresentavam.

Lista de Aves da Vivência “Observação de Aves na Fazenda Figueira” (esperamos não ter esquecido de alguma).

  1. Arapaçu-verde (Sitassomus griseicapillus);
  2. Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophtalmus);
  3. Beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis);
  4. Benedito-de-testa-vermelha (Melanerpes flavivrons);
  5. Cabeçudo (Leptopogon amaurocephalus);
  6. Chocão-carijó (Hypoedalus gutattus);
  7. Choquinha-lisa (Dysithamnus mentalis);
  8. Enferrujado (Lathrotriccus euleri);
  9. Estalador (Corythopis delalandi);
  10. Fim-fim (Euphonia chlorotica);
  11. Gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala);
  12. Inhambú-chintã (Crypturellus tataupa);
  13. Inhambuguaçu (Crypturellus obsoletus);
  14. Jandaia-de-testa-amarela (Aratinga auricapillus);
  15. Juriti (Leptotila rufaxilla);
  16. Limpa-folhas-ocráceo (Philydor lichtensteine);
  17. Marianinha-amarela (Capsiempis flaveola);
  18. Mariquita (Parula pitiayumi);
  19. Maritaca-verde (Pionus maximiliani);
  20. Miudinho (Myiornis auricularis);
  21. Papa-moscas-cinzento (Contopus cinereus);
  22. Papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera);
  23. Periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalmus);
  24. Periquito-rico (Brotogeris tirica);
  25. Pica-pau-anão-de-coleira (Picumnus teeminckii);
  26. Pitiguari (Cychlaris gujanensis);
  27. Pombão (Patagioenas picazuro);
  28. Pula-pula (Basileuterus culicivorus);
  29. Rabo-branco-de-garganta-rajada (Phaethornis eurynome);
  30. Rabo-branco-grande (Phaethornis pretrei);
  31. Risadinha (Camptostoma obsoletum);
  32. Sabiá-barranqueiro (Turdus leucomelas);
  33. Saíra-do-papo-preto (Hemithraupis guira);
  34. Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus);
  35. Surucuá-variado (Trogon surrucura);
  36. Tiê-de-topete (Lanio melanops);
  37. Tiê-do-mato-grosso (Habia rubica);
  38. Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis);
  39. Tucano-do-bico-verde (Ramphastos dicolorus);
  40. Tuim (Forpus xantopterygius);
  41. Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus);
  42. Urubu-rei (Sarcoramphus papa);
  43. Viuvinha (Colonia colonus)