Bem vindo ao Blog de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE!

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Se você é ornitólogo profissional ou amador, ou um simples amante da natureza em especial da avifauna, este é o seu Blog. De agora em diante serão postadas novidades, notícias e informações interessantes obtidas através das pesquisas e atividades realizadas pela ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, sobre a avifauna brasileira.

domingo, 1 de novembro de 2026

Conheça o novo aplicativo para Gravação de Aves "MobSonus"

     É com grande satisfação que apresento a vocês um aplicativo que eu desenvolvi, chamado "MobSonus". Este aplicativo vem de encontro a uma demanda de acessibilidade ao Monitoramento Acústico Passivo (MAP), ou Passive Acoustic Monitoring (PAM) em inglês.


    Nunca ouviu falar? 

    Pois então deixe eu explicar. A ornitologia, como ciência, evolui com o tempo e uma das áreas que mais sinalizam esta evolução é a Bioacústica. Há um bom tempo disponibilizei uma postagem aqui no Blog sobre isso. Mas podemos resumir em "O Estudo dos Sons da Natureza".

    Literalmente você gravar animais que vocalizam de alguma forma, para depois saber reconhecer qual espécie emite aquela vocalização, e o que significa cada tipo de chamado, ou canto, ou resmungo, enfim, acho que deu pra entender né?

    Falamos também sobre playback, que é a técnica de reproduzir a vocalização de uma espécie a partir de uma caixa de som, ou mesmo de um smartphone, para atrair uma espécie, ou confirmar sua ocorrência num lugar onde espera-se que ela ocorra.

    Tudo isso ja conhecemos, mas o que tem a ver com o tal do "MAP" ou "PAM"?

    Pensando em questões como os efeitos da presença humana numa área de estudo, e o quanto isso interfere no comportamento natural das espécies, com mais impacto sobre espécies mais ariscas ou discretas e que evitam contato com seres humanos, cientistas têm avançado neste ramo que literalmente remove o pesquisador, observador de aves, ou entusiasta dessa equação.

    Mas como assim?

    É simples, ao invés da pessoa percorrer a área, e ficar tentando encontrar, chamar, e acabar incomodando mesmo espantando algumas espécies do lugar, hoje é possível deixar gravadores remotos autônomos programados para ficar na mata gravando, sem interferência do pesquisador em si, cujo papel é "programar, instalar, esperar, retirar o equipamento, e analisar os resultados".

    As vantagens são claras, uma vez que as aves não reconhecem os gravadores como invasores ou ameaças, e se comportam naturalmente perto deles. E de acordo com a programação escolhida para os gravadores, você pode obter dados de qualquer horário.

    Quer sabe quais as primeiras espécies a cantar? Programe os gravadores para "trabalhar" na madrugada e o início da manhã.

    Quer saber quais as ultimas espécies diurnas a cantar? Programe os gravadores para o fim de tarne e inicio da noite.

    Quer saber quais espécies cantam a noite? Programe para a noite.

    Quer saber de todos os horários? Programe para gravar por 24 horas.

    Deu pra entender né? Gravadores remotos autônomos são incríveis no que se refere a novas possibilidades de estudos com aves, anfíbios, até mamíferos.

    Mas junto com esta qualidade, vêm o preço. Obviamente um equipamento profissional de gravação autônoma tem como principal ponto negativo o preço, e um modelo padrão não sai por menos de 4 mil reais.

    É aí que entra o MobSonus. Ele é um aplicativo que tem como função transformar seu celular em um gravador autônomo completamente programável. Você pode criar intervalos de gravação, ou deixar por 24 horas, gravar 1 minuto a cada 10, gravar 10 minutos a cada hora, gravar 1 hora a cada 2, e etc. Você pode configurar da forma que achar melhor, até horários quebrados, intervalos menores e tudo mais. Se quer 1 minuto a cada 2, 30 segundos a cada minuto, ou 10 segundos a cada 20... enfim, literalmente você decide.

    Um dos principais diferenciais do MobSonus é funcionar em celulares antigos. Qualquer smartphone com android 6 ou superior, é completamente compatível com o aplicativo. Aí você pode estar se perguntando "mas por que isso?"

    A resposta é simples: A ideia é permitir a qualquer pessoa que tenha um aparelho guardado na gaveta, que irá virar lixo eletrônico, consiga "ressignifica-lo" em uma ferramenta de qualidade equivalente a um equipamento profissional, e que poucas pessoas tem acesso, em especial no Brasil.

    Sendo assim, o aplicativo MobSonus é uma ferramenta de dupla função: melhorar a acessibilidade às técnicas mais recentes da Bioacústica; e reduzir um pouco a quantidade de lixo eletrônico descartado.

    Aí você pode estar se pensando "Mas celulares não foram feitos para serem largados no mato debaixo de sol, chuva, e bichos curiosos". E você não está errado, porém, as formas de contornar tal problema de resistência do aparelho celular comum, podem ser extremamente simples. Para vocês terem ideia, Eu estou usando 7 aparelhos celulares com o MobSonus instalado, e nenhum deles tem resistencia a quedas, chuva, poeira como as cerficações IP67, 68, 69 e etc. E para assegurar a resistência deles à inteperes, eu simplesmente fiz "capas" de sombrite, em que eu coloco cada celular, e marro eles em árvores, cipós ou qualquer apoio que eu ache bom dentro da mata, como mostro na imagem abaixo. No caso é um celular LG K12+ instalado com a uma "capa" de sombrite, preso a uma árvore com cintas plásticas.

    Já fazem alguns meses que uso os mesmos aparelhos, que já tomaram chuva, sol, sofreram quedas com formigas roendo barbantes que amarravam o celular, ou mesmo comendo a própria capinha de silicone do aparelho, e depois eu encontrando o aparelho no chão, logo abaixo de onde eu instalei. Se estão curiosos quanto a qualidade das gravações, abaixo coloco um "sonograma" de uma das gravações de 1 minuto que um smartphone Realme 7 fez para um experimento comparativo entre celulares e um gravador profissional.


    Enfim, é possível constatar que os aparelhos são mais resistentes do que parecem, e mesmo soluções improvisadas são suficientes para contornar a maioria dos problemas.

    Mas e a autonomia?

    Costumo usar os aparelhos configurados para gravar 1 minuto a cada 10, nos intervalos das 05:00 às 10:00; das 16:00 às 20:00; e das 20:00 às 3:00. Neste cenário, um aparelho com bateria de 5000mAh (considerado um valor padrão hoje em dia), dura de 5 a 7 dias, dependendo por exemplo da incidência de sol, frio, chuva. Se o aparelho fica muito exposto ao sol, e esquenta muito, a autonomia tende a reduzir. Se o lugar é mais frio, a autonomia tende a aumentar.

    Celulares mais antigos, pode ter baterias de 1500mAh, 2300mAh, 3000mAh, ou qualquer valor abaixo dos 5000. Logo, a autonomia "nativa" destes aparelhos é quase perfeitamente proporcional. A solução que vale tanto para celulares de menor autonomia, quanto para celulares mais recentes e com baterias mais robustas, é o uso de baterias externas (powerbank) ou mesmo carregadores solares. Se você usar um powerbank de 20000mAh num celular de 5000mAh, teoricamente você aumenta a autonomia em 4x. Mas obviamente nunca será uma conta exata de proporcionalidade.

    Vocês podem estar pensando: "Muito legal, mas quanto custa? Tem pra iphone?"

    O aplicativo vai ser lançado oficialmente a um valor de R$19,99, porém, será 1 compra única, o usuário que comprar não precisará "renovar anualmente" nem nada desse tipo. Por esse valor a pessoa pode instalar inclusive em quantos celulares quiser, desde que todos estejam vinculados à mesma conta na loja de aplicativos. Aí entra a segunda pergunta: Não, infelizmente não está disponivel para Apple (Iphone, Ipad) ainda. Por enquanto só para celulares Android.

    Um detalhe importante, no momento que escrevo esta postagem (01/11/2026) o aplicativo está em fase de "teste fechado" na Google Playstore. Ou seja, se você procurar na loja, não encontrará.

    Porém, se você quer ser um "tester" e ter acesso antecipado ao MobSonus, basta deixar seu comentário nesta postagem, com o email que você quer usar para baixar o aplicativo. Recomendo não usar o seu email principal da Google, e que você crie um email secundário sem informações sensíveis como Cartões de Crédito salvo, ou muitos dados pessoais. Isto por que se você deixar um smartphone gravando em algum lugar, e eventualmente ser furtado por curiosos, ou caçadores (quem trabalha com armadilhas fotográficas já passou por isso algumas vezes), não terá informações pessoais suas vazadas.

    Em resumo, ficou interessado? Deixe o comentário com o email que deseja que eu faça o cadastro. Uma vez que eu cadastrar o email, você pode buscar na Playstore e vai encontrar o MobSonus. Daí é só fazer a "compra". Ele vai aparecer que custa R$19,99, mas ao clicar para comprar você verá na forma de pagamento "Cartão Teste Válido Sempre". Então é só deslizar a barrinha e "fazer a compra". Mas fique tranquilo, nenhum valor será cobrado, e você terá acesso vitalício como testador, ao aplicativo completo.

    Um favor que peço a quem instalar, é que interaja com o aplicativo, pelo menos 3 ou 4 vezes por semana, teste mesmo, faça pequenos projetos de gravação, para que a Google autorize o lançamento oficial. O aplicativo está desde março disponível para teste, porém, para ser liberado publicamente para compra precisa passar por um fase de testes em que os usuários precisam usar efetivamente o app por pelo menos 20 dias. Logo, quem tiver interesse e baixar o app, peço que realmente use o aplicativo, deixe seu feedback, avalie o app na loja, enfim, mostre que realmente estão usando. Abaixo um print da página do aplicativo na Playstore, mas pra acessa-la os interessados precisam deixar os emails para eu autorizar o download gratúito.

   

BORA INOVAR!

     

    


sábado, 11 de maio de 2024

Nova Atualização do Checklist das Aves de Londrina (v.2024a)

        Nem parece que já se passaram quase 10 anos da última atualização do nosso Checklist (2016). Pensando nisso, em vista do grande número de novas espécies que vem sendo registradas em nossa cidade, resolvemos atualizar nosso checklist, para que as pessoas possam ter uma referência quando quiserem se aventurar pelas matas, banhados, capoeiras, rios, lagos e até pelos plantios londrinenses. 

        Agora nosso Checklist é composto por 403 espécies, de 69 famílias e 25 ordens. Sim, tudo isso em Londrina, e podem aparecer ainda mais espécies, afinal a natureza é dinâmica e está em constante movimento e adaptação. Algumas espécies podem desaparecer por um tempo ou para sempre, enquanto outras surgem "do nada", tudo devido a esses movimentos que podem ser naturais ou desencadeados pelos impactos causados pelo homem, sejam eles negativos ou positivos.

       Segue o link para o download do checklist no formato PDF: Checklist v2024a

         Agora é só imprimir no tamanho que preferir, tirar a poeira do binóculo, carregar a bateria da câmera, do gravador, NÃO ABUSAR DE PLAYBACK, e boa passarinhada!!

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Como escolher sua Câmera Fotográfica para Aves, Parte 3: Obturador e Sensibilidade do Sensor (ISO)

    Finalmente arrumei tempo e inspiração pra falar mais um pouco sobre como escolher sua câmera Fotográfica para Aves. Agora podemos ver os fatores que faltavam para entendermos o que eu chamo de "Tríade da Luz" das câmeras Fotográficas, que é formada pela Abertura, Velocidade de Obturador, e ISO.
    Apenas lembrando:
    A primeira parte foi sobre a quantidade de Zoom e o tamanho do Sensor, e como esses dois fatores se relacionam e influenciam na qualidade geral da foto. Quem não leu, clica → (Parte 1: Zoom e Sensor);
    A segunda parte foi sobre a Abertura da Lente e o Foco, e como esses dois fatores se relacionam e influenciam na qualidade e composição geral da foto. Quem não leu, clica → (Parte 2: Abertura da Lente e Foco).
    Agora falaremos sobre o Obturador e a Sensibilidade do Sensor, também chamada de ISO.
    O Obturador é como se fosse a "pálpebra" da câmera, e sua posição padrão é fechado, impedindo a luz de chegar ao sensor, e impedindo assim a captação e formação da imagem. Quando apertamos o botão de captura da câmera, ouvimos um "click" que é justamente o obturador sendo aberto e fechado logo em seguida.
    O segredo está justamente no intervalo entre o obturador se abrir e fechar. É aí que entram os ajustes de "velocidade do obturador" ou "Shutter speed". Na maioria das câmeras, o obturador pode ser ajustado para expor o sensor da camera por inúmeros intervalos de tempo, que variam entre 30 segundos e 1/4000 segundos. Tal ajuste pode ser feito automaticamente, ou manualmente, de acordo com a preferencia do usuário. Eu particularmente utilizo minha câmera no modo Manual, ou seja, eu ajusto tudo de acordo com meu objetivo ou necessidade.
 
Indicador da Velocidade do Obturador (Câmera Canon)

 
    Aí você pergunta:
    - Mas o que muda tirar uma foto com o obturador 1/30 ou 1/300?
    Muita coisa, podemos começar falando obviamente, da luminosidade. Apesar da luz ser mais rápida do que qualquer coisa que o ser humano conhece, se você expor o sensor por 1/300 segundos, uma quantidade X de luz vai conseguir acessar o Sensor, e a imagem se formará com uma iluminação determinada. Se você expor o sensor por 1/30 segundos, teoricamente, uma quantidade 10 vezes maior de luz vai conseguir acessar o sensor, e a imagem se formará, com muito mais iluminação.
    Sendo assim, a lógica seria: Quanto mais escuro o cenário, devemos reduzir a velocidade do obturador para se fazer boas fotos, e quanto mais claro, devemos aumentar velocidade do obturador para fazer boas fotos.
    - Então é só isso?
    Obviamente que não!
    Se você ajusta o obturador pra uma velocidade muito lenta, você não vai conseguir fazer fotos boas de qualquer objeto em movimento, então, aves saltitantes ou em voo estão fora de cogitação. Existem fotógrafos que conseguem compensar a baixa velocidade do obturador, "perseguindo" com a camera uma ave em voo, reduzindo assim o arrasto da imagem. Mas nada se compara a uma foto com obturador em alta velocidade, e aquela foto da ave como se tivesse imóvel no ar.
    - Então é só colocar o mais rápido possivel o obturador e garantir uma foto de ave em movimento parecendo uma estátua?
    Depende!
    Se a Luz estiver favorável, um dia limpo e ensolarado, céu azul, você posicionado entre a ave e o sol... sim, aumentar a velocidade do obturador pode ser o suficiente para uma bela foto.
    Porém, a "tríade da luz" das câmeras fotográficas sempre age em conjunto. Você tem que estar sempre analisando a situação, e ajustando Abertura, Obturador e ISO para compor a cena da melhor forma possível.
    Opa, falei do ISO, e não expliquei ainda né? Então lá vai.
    O ISO, que nas câmeras de filme era chamado de ASA, nada mais é do que a sensibilidade do sensor da câmera. Os valores do ISO variam na maioria das câmeras entre 100 e 6400, podendo ser esticado para mais ou para menos, de acordo com a qualidade. As melhores câmeras, como uma Canon 1D-X, têm iso variando de 50 a 204000.
 
Indicador da Sensibilidade do Sensor (ISO). (Câmera Canon)
 
    Aqui as coisas são mais simples de entender, e quanto maior o ISO, mais luz é captada pelo Sensor da camêra. Então na teoria, se tem pouquissima luz, é só jogar o iso a 12800 e ser feliz!?........ NÃO!
    Por ser um recurso eletrônico da câmera, altas velocidades de ISO geram "ruídos" na imagem. Quem é mais velho lembra das TVs quando saíam do ar, e ficava aquela imagem cinza e chuviscada. Pois bem, é mais ou menos parecido. Quanto maior o ISO - na maioria das câmeras - a imagem começa a apresentar granulação e perda de definição. A minha surrada Canon t3i por exemplo, eu me conformei que posso usar no máximo o ISO 1600, em casos extremos 3200, e casos de vida ou morte acima disso. Vida ou morte seria algo tipo: Estou andando no centro da minha cidade, e encontro uma Harpia perdida e dormindo numa árvore do Bosque a noite (mais provável ganhar 3x na Mega Sena), jogaria o ISO a 25600 pra provar que vi o bicho, nem que aparecesse basicamente um rascunho da ave 😂😂. E antes que sugiram, já adianto que não, eu não usaria lanterna ou flash num bicho dormindo só por uma foto.
    Mas voltando a falar sério, a melhor forma de você saber qual a capacidade real do seu equipamento, quanto ao ISO, é literalmente testando. Se você tem uma câmera mais básica, e percebe uma granulação já em 800, e te incomoda, saiba que é melhor usar até o 400. Se você tem uma boa câmera, e não granula até em ISO 12800, sorte tua, você tem um punhado de possibilidades para compor cenas.
    Fiz uma tabelinha conceitual, generalizando bastante como configurar o obturador e o ISO, de acordo com a claridade (claro ou escuro) e o contexto do objeto (parado ou em movimento). Mas vale lembrar que não é uma regra, tampouco é simples assim, mas apenas para nortear. Afinal, o que é "claro" ou "escuro"? Durante o dia são inúmeras condições de luminosidade, sol, sombra, reflexos, enfim, tudo interfere na configuração.
 

 
    Como de praxe, vou exemplificar com algumas fotos que eu fiz com minha Canon T3i de um equipamento meu de guitarra, apenas para ilustrar.
 
f:5.6 (abertura), Obturador 1/25, ISO 800,

f:5.6 (abertura), Obturador 1/160, ISO 6400

     Como podem ver nas fotos, elas estão praticamente com a mesma "luminosidade", porém, foram utilizadas configurações diferentes. No caso, a abertura em Ambas foi 5.6, o Obturador respectivamente 1/25 e 1/160, e o ISO respectivamente 800 e 6400. Por ser um objeto parado, pendurado na parede do meu quarto, não da pra ver muita diferença de "arrasto" que viria da velocidade do obturador. Porém, é possivel notar que na foto com ISO 6400, há muito mais "granulação" na imagem, e uma definição consequentemente menor.

    Em resumo, como o a velocidade do Obturador é um fator que os valores "normais" na maioria das câmeras bastam pra 99% das situações, atentem para a capacidade de ISO da câmera para escolherem seu equipamento ideal. Busquem por análises (reviews) das câmeras que você está cogitando, e veja como ela se comporta utilizando valores de ISO mais altos, e se os niveis de granulação estão dentro da sua tolerência, e obviamente, se a câmera cabe no seu orçamento, afinal, quanto mais recursos, mais caro é o equipamento.

   


 
     

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Como escolher sua Câmera Fotográfica para Aves, Parte 2: Abertura da lente e Foco

  Boas novas pessoal, após um longo tempo afastado do blog, resolvi retomar as atividades nessa época de Pandemia do Covid-19, e sem mais delongas, vamos à tão aguardada 2ª parte do tutorial sobre Câmeras Fotográficas para aves.
  A primeira parte foi sobre a quantidade de Zoom e o tamanho do Sensor, e como esses dois fatores se relacionam e influenciam na qualidade geral da foto. Quem não leu, clica → (Parte 1: Zoom e Sensor);
  Agora falaremos sobre Abertura da Lente e Foco.
  A Abertura da lente está diretamente relacionada à profundidade de campo e à quantidade de luz que passará pela lente até o sensor da máquina. Como assim? Onde vejo isso? Calma, já explico.
  Primeiro devemos saber onde ficamos sabendo qual a abertura da lente, antes de escolher uma câmera ou uma lente em si. É muito mais fácil do que parece, e normalmente vem impresso no anel frontal da lente, como nas imagens abaixo.

Descrição na lente de uma câmera Canon.

Descrição na lente de uma câmera Nikon.

  Nesse monte de códigos, é só olhar os valores que vem depois do "1:" ou depois do "f:" como pode vir em algumas lentes. No caso dos exemplos que escolhi, as lentes tanto da Nikon quanto da Canon, vêm escrito "1:3.5-5.6", e o que isso quer dizer? Por que dois valores?
  Esses valores 3.5 e 5.6 são as aberturas máximas de ambas lentes, respectivamente no zoom mínimo e máximo dela. Se você for tirar uma foto usando o zoom em 18mm (ou 1x nessa lente) a abertura será de 3.5, até normalmente 20, e se for usar o zoom máximo de 55mm (ou 3x nessa lente) a abertura parte de 5.6 até os mesmos 20. Daí fica a sua escolha ou sua necessidade.
  Legal, então é só escolher a lente com o valor de abertura maior e ser feliz?
  Não, justamente o contrário. Quanto menor esse valor inicial, melhor a lente, porém mais cara.
  Isso acontece por que esse valor, representa a razão de divisão da luz total que chega ao sensor. Parece complexo, mas é fácil de entender. Esquecendo toda a precisão matemática envolvida nos cálculos reais, vou dar um exemplo pra mostrar mais ou menos como funciona.
  Imagine um quarto que tenha uma janela redonda com 100cm de diâmetro em uma das paredes, e um Quadro em branco na parede oposta onde a luz da janela incide. Considere essa janela como 100% da luz. Agora troque a sua janela grande, por uma janela menor com 75cm de diâmetro, e veja o que acontece com a luz do quarto. A janela original seria sua lente com abertura 1.0, e a janela com 75cm seria sua lente com abertura 2.0. Engenheiros, físicos, matemáticos e demais profissionais das exatas, acalmem-se eu sei que as proporções de redução não são exatamente essas, mas é só um exemplo pra facilitar o entendimento!😅😅😅

Variação da Profundidade de Campo de acordo com o valor da Abertura.

  Enfim, com esse exemplo dá pra entender o por quê da abertura influenciar na quantidade de luz que chega ao sensor, o que também pode significar uma imagem mais nítida, dependendo do assunto que você queira fotografar.
  Mas espera que não termina por aqui!
  A abertura influencia também no que chamamos de "Profundidade de Campo" ou "Profundidade de Foco". Como isso funciona? Deixando o exemplo da Janela, vamos pra algo mais a dentro do nosso contexto.
  Você está caminhando numa trilha morro a cima, e lá do alto você consegue avistar nada mais nada menos que uma Harpia, com toda sua imponência, empoleirada "no limpo" com uma bela paisagem de fundo. Aí você pega a câmera o mais rápido que pode, e começa a disparar. O bicho tá tão tranquilo que você pode escolher como "compor" sua foto, daí você começa mexer na abertura da sua lente. Qual usar? Foco só o bicho e desfoco o resto, ou foco o bicho e as montanhas?? O bicho é lindo, mas a paisagem também!!! E agora?
   Pense no ângulo de incidência da luz através da sua lente até o sensor da câmera, e conheça os efeitos de "abrir ou fechar" sua "janela" (no caso sua lente) pra que o sensor capte uma imagem de acordo com o que você espera. Se sua lente é uma lente top, e tem abertura começando a 2.0, a profundidade de campo vai ser uma, se você colocar ela em 8.0, a profundidade de campo aumenta consideravelmente.
    Melhor que explicar em texto, é literalmente desenhar. Se liga na arte:
Efeito da variação da abertura em uma mesma cena.
   Reparem que com a abertura em 2.0, apenas a ave está completamente focada, enquanto os planos posteriores estão desfocados, e o céu bastante desfocado. Enquanto na abertura 8.0 o desfoque começa no ultimo plano, e no céu. Ou seja, se você quiser um foco "próximo ao infinito", aumente o valor até o limite. Algo próximo f:20.0 já deve dar um foco bem amplo, porém, diminui consideravelmente a luz.

- Ah, mas você disse que se aumenta o valor da abertura, a luz diminui, e no seu exemplo a imagem está com a mesma luminosidade!

  Sim, de 2.0 pra 8.0 a luz diminui consideravelmente, mas daí entra as outras especificações da máquina. Você consegue compensar a baixa luminosidade de um f:8.0 ou maior, reduzindo a velocidade do obturador, ou aumentando a sensibilidade do sensor, também chamada de ISO (spoiler da próxima edição). Então é sim possível usar aberturas diferentes e manter a luz "igual".
   Enfim, vamos falar do ultimo tema dessa postagem, o FOCO da câmera.
   Podemos dizer que o Foco depende de basicamente 2 coisas em qualquer câmera. Primeiro a velocidade de Focagem, que nada mais é o tempo que sua lente demora pra ajustar os elementos óticos e deixar tudo nítido. E segundo os Pontos de Foco da sua câmera.
    Como o primeiro parâmetro é razoavelmente simples de entender, vamos Focar no segundo.
    Cada equipamento tem um certo número de pontos de foco e de tipos de ponto de foco. Vamos começar por baixo, com um equipamento que é o que utilizo há algum tempo e sigo com ele. A câmera Canon t3i (600D), é uma câmera que tem 9 pontos de foco, sendo 1 central "Em Cruz", e outros 8 pontos de foco "Lineares" distribuidos em losango. A seguir uma imagem destes pontos.

Pontos de Foco da Canon T3i ou 600D.
   Então pra você fazer uma foto, para que o bicho que você fotografou esteja focado, você precisa deixa-lo em algum destes pontos. No nosso exemplo da Harpia, você poderia focá-la de 4 maneiras:

  1. Automaticamente: onde a câmera escolhe por si só onde deve focar, através do reconhecimento de imagem dela (mas pode falhar e focar qualquer outra coisa e você ter que tentar de novo). 
  2. Escolhendo o ponto de foco Manualmente: você seleciona quais pontos quer ativar e então é só mirar eles na Harpia.
  3. Usando o foco manual: Você controlando o anel de foco manualmente, nesse modo os pontos de foco são desligados e você que controla totalmente (dependendo da clareza do visor da câmera pode ser dificil deixar o foco preciso).
  4. Foco Central + Reenquadramento: Esse talvez seja o mais simples e prático, é só deixar ativo apenas o ponto central, mirar o animal no centro do visor para que o ponto do meio seja a referência do foco, e depois do foco estabelecido, movimentar a câmera pra reenquadrar o animal na cena.
   Por que nesse caso da T3i, o ponto central é o mais recomendado? Por que ele é em "Cruz", ou seja, ele rastreia a imagem tanto horizontal quanto verticalmente. Enquanto os demais pontos só rastreiam ou horizontal ou verticalmente, de acordo com a posição dele no sensor.
   Logo, podemos dizer que quanto mais pontos "Cruz" melhor a cãmera e mais preciso e rápido será o foco.
   E obviamente, quanto mais pontos em geral, melhor a precisão do foco, e maiores serão as possibilidades de composição de imagem, sem precisar movimentar a câmera.
   Pensemos num exemplo em outro contexto, ao invés de uma Harpia, enorme e paradinha no seu poleiro, você quer fotografar um Falcão-peregrino em pleno mergulho a 350km/h, e registrar todo seu percurso até ele abater a pobre Asa-branca que se alimenta no chão de um parque.
   Você consegue enquadrar o Falcão no visor câmera, e desde lá de cima segura o dedo no disparador da câmera e faz umas 45 fotos em pouco menos de 3 segundos. Quando vai ver, nenhuma delas ficou com aquele foco digno de uma publicação na NatGeo.
   Por que será?
   Provavelmente por que estes dois fatores (velocidade de foco e pontos de foco) foram decisivos. Ou sua câmera não foi rápida o suficiente pra fixar o foco no bicho em movimento, ou você não conseguiu manter o bicho mirado de modo que os pontos de foco da sua câmera o detectassem e o rastreassem ao longo do seu mergulho.
   Por essas e outras que quanto mais pontos melhor.
   Em comparação, considerando apenas o número de pontos de foco, em qual equipamento será mais fácil fazer um registro legal de um momento como esse do falcão, na humilde Canon T3i, ou na sua irmã mais nova e reformulada Canon 7D Mark II?
   Vejam a imagem abaixo, creio ser auto-explicativa.
Comparativo do número de pontos de foco da Canon t3i e Canon 7D Mark II
   Bom gente, acho que ja tem bastante coisa pra ler e entender nessa 2ª parte do nosso Tutorial!
   Espero ter ajudado a esclarecer algumas dúvidas sobre o tema, e em breve vem a 3ª parte!
  
Abraço a todos!