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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Como escolher sua Câmera Fotográfica para Aves, Parte 2: Abertura da lente e Foco

  Boas novas pessoal, após um longo tempo afastado do blog, resolvi retomar as atividades nessa época de Pandemia do Covid-19, e sem mais delongas, vamos à tão aguardada 2ª parte do tutorial sobre Câmeras Fotográficas para aves.
  A primeira parte foi sobre a quantidade de Zoom e o tamanho do Sensor, e como esses dois fatores se relacionam e influenciam na qualidade geral da foto. Quem não leu, clica → (Parte 1: Zoom e Sensor);
  Agora falaremos sobre Abertura da Lente e Foco.
  A Abertura da lente está diretamente relacionada à profundidade de campo e à quantidade de luz que passará pela lente até o sensor da máquina. Como assim? Onde vejo isso? Calma, já explico.
  Primeiro devemos saber onde ficamos sabendo qual a abertura da lente, antes de escolher uma câmera ou uma lente em si. É muito mais fácil do que parece, e normalmente vem impresso no anel frontal da lente, como nas imagens abaixo.

Descrição na lente de uma câmera Canon.

Descrição na lente de uma câmera Nikon.

  Nesse monte de códigos, é só olhar os valores que vem depois do "1:" ou depois do "f:" como pode vir em algumas lentes. No caso dos exemplos que escolhi, as lentes tanto da Nikon quanto da Canon, vêm escrito "1:3.5-5.6", e o que isso quer dizer? Por que dois valores?
  Esses valores 3.5 e 5.6 são as aberturas máximas de ambas lentes, respectivamente no zoom mínimo e máximo dela. Se você for tirar uma foto usando o zoom em 18mm (ou 1x nessa lente) a abertura será de 3.5, até normalmente 20, e se for usar o zoom máximo de 55mm (ou 3x nessa lente) a abertura parte de 5.6 até os mesmos 20. Daí fica a sua escolha ou sua necessidade.
  Legal, então é só escolher a lente com o valor de abertura maior e ser feliz?
  Não, justamente o contrário. Quanto menor esse valor inicial, melhor a lente, porém mais cara.
  Isso acontece por que esse valor, representa a razão de divisão da luz total que chega ao sensor. Parece complexo, mas é fácil de entender. Esquecendo toda a precisão matemática envolvida nos cálculos reais, vou dar um exemplo pra mostrar mais ou menos como funciona.
  Imagine um quarto que tenha uma janela redonda com 100cm de diâmetro em uma das paredes, e um Quadro em branco na parede oposta onde a luz da janela incide. Considere essa janela como 100% da luz. Agora troque a sua janela grande, por uma janela menor com 75cm de diâmetro, e veja o que acontece com a luz do quarto. A janela original seria sua lente com abertura 1.0, e a janela com 75cm seria sua lente com abertura 2.0. Engenheiros, físicos, matemáticos e demais profissionais das exatas, acalmem-se eu sei que as proporções de redução não são exatamente essas, mas é só um exemplo pra facilitar o entendimento!😅😅😅

Variação da Profundidade de Campo de acordo com o valor da Abertura.

  Enfim, com esse exemplo dá pra entender o por quê da abertura influenciar na quantidade de luz que chega ao sensor, o que também pode significar uma imagem mais nítida, dependendo do assunto que você queira fotografar.
  Mas espera que não termina por aqui!
  A abertura influencia também no que chamamos de "Profundidade de Campo" ou "Profundidade de Foco". Como isso funciona? Deixando o exemplo da Janela, vamos pra algo mais a dentro do nosso contexto.
  Você está caminhando numa trilha morro a cima, e lá do alto você consegue avistar nada mais nada menos que uma Harpia, com toda sua imponência, empoleirada "no limpo" com uma bela paisagem de fundo. Aí você pega a câmera o mais rápido que pode, e começa a disparar. O bicho tá tão tranquilo que você pode escolher como "compor" sua foto, daí você começa mexer na abertura da sua lente. Qual usar? Foco só o bicho e desfoco o resto, ou foco o bicho e as montanhas?? O bicho é lindo, mas a paisagem também!!! E agora?
   Pense no ângulo de incidência da luz através da sua lente até o sensor da câmera, e conheça os efeitos de "abrir ou fechar" sua "janela" (no caso sua lente) pra que o sensor capte uma imagem de acordo com o que você espera. Se sua lente é uma lente top, e tem abertura começando a 2.0, a profundidade de campo vai ser uma, se você colocar ela em 8.0, a profundidade de campo aumenta consideravelmente.
    Melhor que explicar em texto, é literalmente desenhar. Se liga na arte:
Efeito da variação da abertura em uma mesma cena.
   Reparem que com a abertura em 2.0, apenas a ave está completamente focada, enquanto os planos posteriores estão desfocados, e o céu bastante desfocado. Enquanto na abertura 8.0 o desfoque começa no ultimo plano, e no céu. Ou seja, se você quiser um foco "próximo ao infinito", aumente o valor até o limite. Algo próximo f:20.0 já deve dar um foco bem amplo, porém, diminui consideravelmente a luz.

- Ah, mas você disse que se aumenta o valor da abertura, a luz diminui, e no seu exemplo a imagem está com a mesma luminosidade!

  Sim, de 2.0 pra 8.0 a luz diminui consideravelmente, mas daí entra as outras especificações da máquina. Você consegue compensar a baixa luminosidade de um f:8.0 ou maior, reduzindo a velocidade do obturador, ou aumentando a sensibilidade do sensor, também chamada de ISO (spoiler da próxima edição). Então é sim possível usar aberturas diferentes e manter a luz "igual".
   Enfim, vamos falar do ultimo tema dessa postagem, o FOCO da câmera.
   Podemos dizer que o Foco depende de basicamente 2 coisas em qualquer câmera. Primeiro a velocidade de Focagem, que nada mais é o tempo que sua lente demora pra ajustar os elementos óticos e deixar tudo nítido. E segundo os Pontos de Foco da sua câmera.
    Como o primeiro parâmetro é razoavelmente simples de entender, vamos Focar no segundo.
    Cada equipamento tem um certo número de pontos de foco e de tipos de ponto de foco. Vamos começar por baixo, com um equipamento que é o que utilizo há algum tempo e sigo com ele. A câmera Canon t3i (600D), é uma câmera que tem 9 pontos de foco, sendo 1 central "Em Cruz", e outros 8 pontos de foco "Lineares" distribuidos em losango. A seguir uma imagem destes pontos.

Pontos de Foco da Canon T3i ou 600D.
   Então pra você fazer uma foto, para que o bicho que você fotografou esteja focado, você precisa deixa-lo em algum destes pontos. No nosso exemplo da Harpia, você poderia focá-la de 4 maneiras:

  1. Automaticamente: onde a câmera escolhe por si só onde deve focar, através do reconhecimento de imagem dela (mas pode falhar e focar qualquer outra coisa e você ter que tentar de novo). 
  2. Escolhendo o ponto de foco Manualmente: você seleciona quais pontos quer ativar e então é só mirar eles na Harpia.
  3. Usando o foco manual: Você controlando o anel de foco manualmente, nesse modo os pontos de foco são desligados e você que controla totalmente (dependendo da clareza do visor da câmera pode ser dificil deixar o foco preciso).
  4. Foco Central + Reenquadramento: Esse talvez seja o mais simples e prático, é só deixar ativo apenas o ponto central, mirar o animal no centro do visor para que o ponto do meio seja a referência do foco, e depois do foco estabelecido, movimentar a câmera pra reenquadrar o animal na cena.
   Por que nesse caso da T3i, o ponto central é o mais recomendado? Por que ele é em "Cruz", ou seja, ele rastreia a imagem tanto horizontal quanto verticalmente. Enquanto os demais pontos só rastreiam ou horizontal ou verticalmente, de acordo com a posição dele no sensor.
   Logo, podemos dizer que quanto mais pontos "Cruz" melhor a cãmera e mais preciso e rápido será o foco.
   E obviamente, quanto mais pontos em geral, melhor a precisão do foco, e maiores serão as possibilidades de composição de imagem, sem precisar movimentar a câmera.
   Pensemos num exemplo em outro contexto, ao invés de uma Harpia, enorme e paradinha no seu poleiro, você quer fotografar um Falcão-peregrino em pleno mergulho a 350km/h, e registrar todo seu percurso até ele abater a pobre Asa-branca que se alimenta no chão de um parque.
   Você consegue enquadrar o Falcão no visor câmera, e desde lá de cima segura o dedo no disparador da câmera e faz umas 45 fotos em pouco menos de 3 segundos. Quando vai ver, nenhuma delas ficou com aquele foco digno de uma publicação na NatGeo.
   Por que será?
   Provavelmente por que estes dois fatores (velocidade de foco e pontos de foco) foram decisivos. Ou sua câmera não foi rápida o suficiente pra fixar o foco no bicho em movimento, ou você não conseguiu manter o bicho mirado de modo que os pontos de foco da sua câmera o detectassem e o rastreassem ao longo do seu mergulho.
   Por essas e outras que quanto mais pontos melhor.
   Em comparação, considerando apenas o número de pontos de foco, em qual equipamento será mais fácil fazer um registro legal de um momento como esse do falcão, na humilde Canon T3i, ou na sua irmã mais nova e reformulada Canon 7D Mark II?
   Vejam a imagem abaixo, creio ser auto-explicativa.
Comparativo do número de pontos de foco da Canon t3i e Canon 7D Mark II
   Bom gente, acho que ja tem bastante coisa pra ler e entender nessa 2ª parte do nosso Tutorial!
   Espero ter ajudado a esclarecer algumas dúvidas sobre o tema, e em breve vem a 3ª parte!
  
Abraço a todos!

 




sábado, 11 de novembro de 2017

Como escolher sua Câmera Fotográfica para Aves, Parte 1: Zoom e Sensor.

     Já postamos anteriormente uma série de dicas sobre como escolher um bom Binóculo para a observação de Aves (Parte1Parte2Parte3), e agora vamos fazer uma série sobre como escolher uma boa Câmera Fotográfica para Observação de Aves. Vamos novamente dividir em partes, para as postagens não ficarem tão extensas e cansativas. Serão 3 postagens que falarão sobre "Zoom e Sensor", "Abertura da lente e Foco" e "Especificações Importantes e Conclusão" respectivamente.
     Vamos então falar um pouco sobre Zoom e Sensores.
    Uma necessidade óbvia para fotografia de aves (e vida selvagem em geral) é que a Cãmera tenha uma boa lente teleobjetiva. Para quem não está familiarizado com esses nomes, uma lente Teleobjetiva é aquela que oferece o maior Zoom.
    As câmeras digitais, podem ser divididas basicamente em 3 categorias: Compactas, Superzoom, e DSLR. Cada categoria conta com câmeras dos mais variados formatos, tamanhos e quantidade de zoom. As Compactas variam normalmente de 3x (padrão) até 18x (avançado) de zoom, e possuem tamanho relativamente pequeno, são leves e fáceis de carregar.

Câmeras compactas zoom padrão. Fonte: All Things Photography

Compactas com zoom avançado. Fonte: Apartment Therapy
     As Superzoom são câmeras geralmente mais robustas que as Compactas, e como a categoria preza, são câmeras com grandes capacidades de zoom, que vão desde as 12x até modelos com 50x.

Cãmeras Superzoom. Fonte: TechTudo
   Por fim, existem as DSLR (Digital Single-Lens Reflex), que são as mais complexas e tem como característica mais notável a capacidade de trocar as lentes da câmera, inclusive sendo possível comprar apenas o "corpo" da câmera ou apenas a lente. Disponíveis basicamente em modelos de "entrada" e "profissionais".

Cameras DSLR de entrada. Fonte: Doufer

Câmeras DSLR Profissionais. Fonte: MyGadget
     No caso das DSLR os niveis de zoom são ditados pela Lente que será acoplada ao corpo da câmera, e são medidas em milímetros (mm), diferente da medida em vezes (x) utilizada para as outras duas categorias. No entanto, é possível fazer as conversões entre um tipo e outra facilmente.

Lentes para câmeras DSLR. Fonte: ORMS Connect
     Para converter a capacidade de zoom de "milímetros" para "vezes", vamos a um exemplo: uma Superzoom com 30x de zoom que apresente uma lente 24 - 720 mm, as tais 30x nada mais são do que o resultado da divisão 720 / 24. Logo, pensando numa DSLR, se você tem uma lente 70-300mm, o zoom em "vezes" seria algo em torno de 4.3x, o que parece pouco, e se fosse uma lente 18-300 o zoom em "vezes" seria de aproximadamente 17x, no entanto a aproximação máxima das duas lentes seria exatamente a mesma. A diferença entre elas seria que a lente 18 - 300 oferece toda a extensão entre 18 e 70mm para composição de cenas.
     Já devem ter percebido que pode ser uma armadilha você considerar apenas as "vezes" de zoom em uma câmera, pois nem sempre esta medida representa diretamente a aproximação. É sempre bom estar atento à quantidade de milímetros da lente em sua aproximação máxima, assim, você evita passar aquela "raiva" quando alguém aparece com uma câmera de 20x de zoom, e consegue uma aproximação maior do que a sua de 30x. 
     Bom, então qual seria uma ampliação ideal?
     Fotógrafos mais experientes costumam dizer que independente do modelo da câmera (compacta, superzoom ou DSLR) ela deve ter no mínimo, uma lente de 300mm para ter uma boa aproximação e fazer boas fotos de aves. No entanto, para as DSLR por exemplo, existem lentes de 200mm que ofecerem resultados excelentes, e as vezes você compra um determinado modelo de lente de 300mm que lhe aproxima mais do objeto da foto, no entanto, não oferece a definição que um determinado modelo 200mm oferece, onde a foto mesmo que cropada (ampliada digitalmente) retrata mais detalhes do que a 300mm.
     Obviamente, escolher uma câmera não seria nem será tão simples assim, então, não podemos nos iludir e acreditar que apenas sabendo a aproximação da lente ja basta para a escolha certa. Outros fatores que serão abordados nas postagens futuras interferem diretamente na qualidade destas câmeras e lentes, além de sua ampliação.
     Mas voltando à ampliação. O caso da Fuji HS10, que foi minha primeira câmera com zoom "bom". Ela tem a ampliação de 30x, e nominal de 24-720mm, o que representa uma distância focal excelente e aproxima bastante o assunto. No entanto, a lente tem uma ampliação real de apenas 126mm.
     Agora você se pergunta: Mas afinal, é 720mm ou 126mm??
     E eu respondo:
     - A ampliação na prática dela é de 720mm no que se compara a uma câmera de filme 35mm, ou câmera digital com sensor "Full Frame".
     Complicou ainda mais? Eu acredito... hehehe. Mas calma, já explico...
     O sensor da câmera (no caso das digitais), nada mais é do que a peça que transforma a imagem que incide sobre ele, em um arquivo digital de imagem em seus variados formatos (JPEG, RAW e etc). Câmeras "Full Frame" tem um sensor retangular grande (35mm x 24mm), que equivale ao tamanho dos filmes usados nas câmeras mais antigas, cuja qualidade até hoje ainda impressiona.
      Toda câmera Full Frame (entenda: DSLR profissionais) apresenta a ampliação exatamente igual à ampliação da lente, ou seja, se usar uma lente 200mm numa câmera desse tipo, ela vai aproximar exatamente o que se espera de uma lente 200mm.
      Uma câmera DSLR de entrada (entenda: mais barata) tem o seu sensor um pouco menor do que uma Full Frame. Sensores menores, apresentam o que chamam de "Crop factor" ou "Fator de ampliação", que é basicamente um zoom extra "embutido".
     Aí você pode pensar: Então o negócio é comprar câmeras DSLR de entrada pois oferecem mais zoom!
      Aí eu digo: Se você não se importa com detalhes minuciosos em suas imagens, e não trabalha como fotógrafo profissional, pode ser sim, mas saiba que a qualidade da imagem não será igual a de uma DSLR topo de linha.
     Se quer entender o tal do Crop Factor, faça um teste no seu computador. Anote qual a resolução atual do seu monitor, e considere ela como um sensor "full frame", aí você reduz a resolução dele, por exemplo de 1920x1080 pra 1280x720. Você notará que aos ícones ficarão maiores (como se tivesse aplicado zoom).
     Voltando às câmeras, uma DSLR da Canon, modelo T3i por exemplo, apresenta um sensor 1.6x menor que o full frame. Logo, o fator de ampliação desta câmera, é de 1.6, ou seja, se usar uma lente 200mm nesta câmera, o zoom na prática, será de 320mm (200 x 1.6), no entanto com a qualidade de imagem inferior à da DSLR Full Frame.
     A minha Fuji HS10 e seus 720mm (na prática), apresenta uma lente de 126mm reais, só que o sensor dela é tão pequeno (1.2/3) que o seu fator de ampliação é de 5.7x. Isso representa uma queda ainda maior na qualidade da imagem em relação às DSLR Full Frame.
     Eis uma representação gráfica para se ter idéia da diferença de tamanho dos sensores nas câmeras.
Comparação entre o tamanho dos sensores de câmeras. Fonte: numerofblog.wordpress.com
     Para esclarecer a questão do fator de ampliação, eis uma imagem hipotética de uma mesma cena sendo captada por sensores de diversos tamanhos, utilizando a mesma lente. 
Representação do Crop Factor. Fonte: Viamoi
          Não entendeu ainda como um sensor menor representa maior fator de ampliação ou Crop Factor?
     Para demonstrar na prática usufrui do lendário Paint Brush sobre a imagem acima pra deixar mais claro...
     Aqui a cena captada pelo sensor Full Frame:
    E aqui a mesma cena captada por um sensor menor:

     Agora quanto à queda de qualidade da imagem entre um sensor Full Frame para um menor, vamos usar a imaginação. Imagine que você é um pintor renomado que recebeu a árdua tarefa de reproduzir fielmente em um cartão de visita, a Monalisa. Você pode até deixar o quadro completamente reconhecível, mas com certeza não estarão lá todos os detalhes da obra original. É mais ou menos isso o que acontece com a qualidade de imagem conforme o sensor reduz seu tamanho. É por essas e outras ainda que muita gente fica decepcionada quando comparam suas fotos feitas com câmeras de sensor pequeno (compactas e superzoom), com fotos de pessoas que usam câmeras com sensor maior (DSLR).
      Bom, agora vocês entenderam (pelo menos espero que sim) como saber se uma determinada quantidade de Zoom será o suficiente para você, e como o tamanho do sensor influencia na qualidade da imagem.
        Em breve, seguimos com nosso Tutorial, na parte 2.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Nova atualização do Checklist (Junho 2016)

    Olá prezados leitores!
    Como prometido, disponibilizamos a nova edição do Checklist das Aves de Londrina, agora com as duas mais recentes descobertas para nossa cidade, o Turu-turu (Neocrex erythrops) e o Zidedê (Terenura maculata). Com isto, Londrina chega a marca de 346 espécies, com registros "recentes".
     Para baixar o checklist atualizado CLIQUE AQUI!
     Em breve, a nova postagem sobre como escolher uma boa câmera fotográfica para "passarinhada".

     Quer passarinhar conosco? Envie um email para gtaongmae@gmail.com com a data de sua preferência, quantidade de pessoas e etc. Assim podemos combinar um roteiro incrível, e de acordo com suas necessidades!


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nova espécie para Londrina: o Turu-turu (Neocrex erythrops)

Turu-turu (Neocrex erythrops) encontrado em Londrina - PR.

   Eu sei, a foto impressiona, mas calma, é por um bom motivo!
Eis que numa tarde qualquer (30/11/2015), um colega passarinheiro da "nova safra", me contacta com certa urgência, para a identificação de uma ave que fora encontrada morta próximo à sua casa faziam algumas horas.
O nome do garoto é Breno Tamarozzi, e com apenas 13 anos já angariou uma quantidade de fotos e registros de aves de fazer inveja a muitos veteranos (Breno no Wikiaves).
   Pois bem, ele me enviou a foto do "falecido", e a primeira vista, pela tela do computador, me veio a mente o Inhambú-chororó (Crypturellus parvirostris),  mas a dúvida ainda pairava. Afinal, o bicho apareceu no meio da cidade, e era um tanto inimaginável ser uma espécie até então nunca registrada por essas bandas.
Na dúvida, Breno colocou na página de identificação de aves do Facebook, e identificaram como Turu-turu (Neocrex erythrops). Fiquei perplexo com a situação, por se tratar de uma espécie pouco estudada, e cuja distribuição no Paraná é meio enigmática. Em uma busca rápida a acervos digitais, encontrei um único registro confirmado de Turu-turu no Paraná, que foi de um espécime coletado à margem do Rio Chopim (Pato Branco - PR) em 2001, e que está tombado no Museu de Historia Natural Capão da Imbuia (confira no Livro Vermelho do Paraná). Eu acredito que possam existir outros registros no estado, mas que ainda não foram divulgados, ou talvez estejam restritos à alguma universidade ou no prelo de alguma revista científica. Mas é inegavel que se trata de uma ave muito pouco conhecida por aqui.
   Breno pediu que eu fosse lá ver o bicho, e depois levar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pra mostrar para os professores e pesquisadores de lá.
Foi o que fiz, e depois de constatar ser mesmo o Turu-turu, fui para a UEL dos mais renomados pesquisadores de ornitologia do Brasil, o prof. PhD. Luis dos Anjos. Ele ficou extremamente surpreso, e destacou a capacidade de deslocamento destas aves "de brejo" que de tão dinâmicas fica difícil prever onde aparecerão e o por que da ocorrência. Perguntei pro professor se podíamos tombar o bicho no Museu de Zoologia da UEL, para que fique registrada oficialmente a ocorrência da espécie pra Londrina - PR. Ele de imediato me acompanhou até o responsável pelo Museu, e deixamos a ave lá para ser tombada.
   É mais uma espécie para nossa querida Londrina (que será incluida na primeira versão do nosso checklist de 2016) e que vem pra lembrar que jamais devemos considerar como "definitiva" a lista de espécies de qualquer lugar. Sempre haverão aquelas espécies que desaparecem enquanto outras surgem. Os motivos reais dessas mudanças dificilmente compreenderemos por completo. 
   O que importa, é interferirmos o mínimo possível nessa dinâmica. Será que nós humanos somos capazes de sermos apenas espectadores e não os diretores dessas mudanças?
   E para finalizar, que o próximo encontro com o Turu-turu seja com ele vivo e cantarolando, esteja onde estiver dentro da nossa querida Londrina. Bora procurar esse pequeno fantasma do brejo! ;)
   Confira algumas fotos do Turu-turu no Wikiaves.